"O educador nunca estará definitivamente pronto, formado, pois que sua maturação se faz no dia a dia na meditação teórica sobre a prática." (Lukesi)

sábado, 13 de junho de 2009

A avaliação contemplada nos Parâmetros Curriculares Nacionais


A concepção de avaliação nos Parâmetros Curriculares Nacionais vai além da visão tradicional que focaliza o controle externo do aluno mediante notas ou conceitos para ser compreendida como parte integrante e intrínseca ao processo educacional. A avaliação ao não se restringir ao julgamento sobre sucessos ou fracassos do aluno é compreendida como um conjunto de atuações que tem a função de alimentar, sustentar e orientar a intervenção pedagógica. Acontece contínua e sistematicamente por meio da interpretação qualitativa do conhecimento construído pelo aluno. Possibilita conhecer o quanto ele se aproxima ou não da expectativa de aprendizagem que o professor tem em determinados momentos da escolaridade, em função da intervenção pedagógica realizada. Portanto, a avaliação das aprendizagens só pode acontecer se forem relacionadas com as oportunidades oferecidas, isto é, analisando adequação das situações didáticas propostas aos conhecimentos prévios dos alunos e aos desafios que estão em condições de enfrentar.
A avaliação subsidia o professor com elementos para uma reflexão contínua sobre a sua prática, sobre a criação de novos instrumentos e retomadas de aspectos que devem ser vistos, ajustados ou reconhecidos como adequados para o processo de aprendizagem individual de todo o grupo. Para o aluno, é um instrumento de tomada de consciência de suas conquistas, dificuldades e possibilidades para reorganização de seu investimento na tarefa de aprender. Para a escola possibilita definir prioridades e localizar quais aspectos das ações educacionais que demandam maior apoio. Tomar a avaliação nessa perspectiva e em todas essas dimensões requer que esta ocorra sistematicamente durante todo o processo de ensino e aprendizagem e não seja somente após o fechamento de etapas do trabalho como é o habitual. Isso possibilita ajuste constante, no mecanismo de regulação do processo de ensino aprendizagem que contribui efetivamente para que a tarefa educativa tenha sucesso.
O acompanhamento e a reorganização do processo de ensino e a aprendizagem na escola inclui, necessariamente, uma avaliação inicial para o planejamento do professor e uma avaliação ao final de uma etapa de trabalho. Avaliação investigativa inicial instrumentalizará o professor para que possa pôr em prática seu planejamento de forma adequada às características de seus alunos. Esse é o momento em que o professor vai se informar sobre o que o aluno já sabe sobre determinado conteúdo para a partir daí, estruturar sua programação, definindo os conteúdos e o nível de profundidade em que deve ser abordados.
A avaliação inicial serve para o professor obter informações necessárias para propor atividades e gerar novos conhecimentos, assim como para o aluno tomar consciência do que já sabe e do que pode ainda aprender sobre um determinado conjunto de conteúdos. É importante que ocorra uma avaliação no início do ano, pois o fato do aluno está iniciando uma série não é informação suficiente para que o professor saiba sobre suas necessidades de aprendizagens. Mesmo que o professor acompanhe a classe de um ano para o outro, e tenha registro detalhados sobre o desempenho dos alunos no ano anterior, não se exclui essa investigação inicial, pois os alunos não deixam de aprender durante as férias e muita coisa pode se alterada no intervalo dos períodos letivos. Mas essas avaliações não devem ser aplicadas exclusivamente nos inícios de ano e de semestre; são pertinentes sempre que o professor propõe novos conteúdos ou novas seqüências de situações didáticas. É importante ter claro que avaliação inicial não implica a instauração de um longo período diagnóstico, que acabe por se destacar do processo de aprendizagem que está em curso, no qual o professor não avança em suas propostas perdendo escasso e precioso tempo escolar de que dispõe. Ela pode ser realizada no interior mesmo de um processo de ensino aprendizagem, já que os alunos põem inevitavelmente em jogo seus conhecimentos prévios ao enfrentar qualquer situação didática. O processo contempla, também, a observação dos avanços e da qualidade da aprendizagem alcançada pelos alunos ao final de um período de trabalho,seja este determinado pelo fim de um bimestre ou de um ano, seja pelo encerramento de um projeto ou seqüência didática.
Na verdade, a avaliação contínua do processo acaba por subsidiar a avaliação final, isto é, se o professor acompanha o aluno sistematicamente ao longo do processo pode saber em determinados momentos o que o aluno já aprendeu sobre os conteúdos trabalhados. Esses momentos, por outro lado, são importantes por constituírem boas situações para que os alunos e professores formalizem o que foi e o que não foi aprendido.
Esta avaliação, que intenciona averiguar a relação entre a construção do conhecimento por partes dos alunos e os objetivos a que o professor se propôs, é indispensável saber se todos os alunos estão aprendendo e quais condições estão sendo ou não favoráveis para isso, o que diz respeito às responsabilidades do sistema educacional. Um sistema educacional comprometido com o desenvolvimento das capacidades dos alunos que se expressam pela qualidade das relações que estabelecem e pela profundidade dos saberes constituídos, encontram na avaliação uma referência à análise de seus propósitos, a fim de que os alunos aprendam cada vez mais e melhor e atinjam os objetivos propostos.
Esse uso da avaliação numa perspectiva democrática, só poderá acontecer se for superado o caráter de terminalidade e de medição de conteúdos aprendidos, tão arraigados nas práticas escolares, a fim de que os resultados da avaliação possam ser concebidos como indicadores para a reorientação da prática educacional e nunca como um meio de estigmatizar os alunos. Utilizar a avaliação como um instrumento para o desenvolvimento das atividades didáticas requer que ela não seja interpretada como um momento estático, mas, antes, como um momento de observação de um processo dinâmico e não linear de construção de conhecimento.
Em suma, avaliação contemplada nos Parâmetros Curriculares Nacionais é compreendida como: elemento integrador entre a aprendizagem e o ensino; conjunto de ações cujo objetivo é o ajuste e a orientação da intervenção pedagógica para que o aluno aprenda da melhor forma; conjunto de ações que busca obter informações sobre o que foi aprendido e como elemento de reflexão contínua para o professor sobre sua prática educativa; instrumento que possibilita ao aluno tomar consciência de seus avanços, dificuldades e possibilidades; ação que ocorre durante todo o processo de ensino aprendizagem e não apenas de momentos específicos caracterizados como fechamentos de grandes etapas de trabalhos. Uma concepção desse tipo pressupõe também que avaliação se aplique não apenas ao aluno, considerando as expectativas de aprendizagens, mas às condições oferecidas para que isto ocorra. Avaliar a aprendizagem, portanto, implica avaliar o ensino oferecido. Se por exemplo, não há aprendizagem esperada significa que o ensino não cumpriu com a sua finalidade: a de fazer aprender.

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