"O educador nunca estará definitivamente pronto, formado, pois que sua maturação se faz no dia a dia na meditação teórica sobre a prática." (Lukesi)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Oficina de jogos e brincadeiras para a sala de aula

Objetivos gerais:
Analisar a importância do lúdico na formação da criança. Compreender que jogos e brincadeiras fazem parte da vida de toda criança e podem ser usados como instrumentos de aprendizado na sala de aula.

Objetivos específicos:
Participar de jogos e brincadeiras, buscando vivenciar as emoções e desafios que são postos por estas atividades.
Aplicar os conhecimentos adquiridos nesta oficina em futuras experiências de sala de aula.

Público alvo: Alunos (as) do 1°, 2° e 3° ano do Ensino Normal

A importância do brincar

Todo ser humano pode beneficiar-se de brincadeiras e jogos, tanto pelo aspecto lúdico, de diversão e prazer, quanto pelo aspecto da aprendizagem.
Brincando, desenvolvemos várias capacidades, exploramos e refletimos sobre a realidade, a cultura na qual vivemos, incorporamos e, ao mesmo tempo, questionamos regras e papeis sociais. Podemos dizer que nas brincadeiras ultrapassamos a realidade, transformando-a através da imaginação.
A incorporação de brincadeiras na prática pedagógica desenvolve diferentes atividades que contribuem para inúmeras aprendizagens e para aplicação da rede de significados construtivos tanto para crianças quanto para jovens e adultos.
As brincadeiras funcionam como exercícios necessários e úteis a vida. O exercício de brincar possibilita assegurar a sobrevivência de sonhos e promover uma construção de conhecimentos vinculados ao prazer de viver e aprender de uma forma natural e agradável.


Atividades lúdicas

As atividades lúdicas são a essência da infância. Por isso, ao abordar esse tema, não podemos deixar de nos referimos à criança.
Ao retomar a história e evolução do homem na sociedade, vamos perceber que a criança nem sempre foi considerada como é hoje. Antigamente, ela não tinha existência social, era considerada miniatura do adulto, ou quase adulto, ou adulto em miniatura. Seu valor era relativo, nas classes altas era educada para o futuro e nas classes baixa o valor da criança iniciava quando ela podia ser útil no trabalho, colaborando na geração de renda familiar.
Os jogos e brinquedos, embora sendo um elemento sempre presente na humanidade desde seu início, também não tinha a conotação que tem hoje, eram vistos como fúteis e tinham como objetivo a distração e o recreio.
Cada época e cada cultura têm uma visão diferente de infância, mas a que mais predominou foi a da criança como ser inocente, inacabado e incompleto, um ser em miniatura, dando a criança uma visão negativa. Entretanto, já no século XVIII, Rousseau se preocupava em dar uma conotação diferente para infância, mas suas idéias vieram ser afirmar no século XX, quando psicólogos e pedagogos começaram a considerar a criança como uma criatura especial com especificidades, características e necessidades próprias.
Foi preciso que houvesse uma profunda mudança na imagem da criança na sociedade para que se pudesse associar uma visão positiva a suas atividades espontâneas, surgindo como decorrência à valorização dos jogos e brinquedos.
O aparecimento do jogo e do brinquedo como fator do desenvolvimento infantil proporcionou um campo amplo de estudos e pesquisas e hoje é questão de consenso a importância do lúdico.
Dentre as contribuições desses estudos podemos destacar:
As atividades lúdicas possibilitam fomentar a “resiliência”, pois permitem a formação do autoconceito positivo;
As atividades lúdicas possibilitam o desenvolvimento integral da criança, já que através dessas atividades a criança se desenvolve afetivamente, convivem socialmente e opera mentalmente;
O brinquedo e o jogo são produtos da cultura e seus usos permitem a inserção da criança na sociedade;
Brincar é uma necessidade básica assim como a nutrição, a saúde, habitação e a educação;
Brincar ajuda acriança no seu desenvolvimento físico, afetivo, intelectual e social, pois através das atividades lúdicas, a criança forma conceitos, relaciona idéias, estabelece relações lógicas desenvolve expressão oral e corporal, reforça habilidades sociais, reduz a agressividade, integra-se na sociedade e constrói seu próprio conhecimento;
O jogo é essencial para a saúde física e mental;
O jogo simbólico permite à criança vivências do mundo adulto e isto possibilita a mediação entre o real e o imaginário.
Portanto, ao valorizar a atividade lúdica, a reforçamos como atividade natural, espontânea e necessária a todas as crianças, tanto que o BRINCAR é um direito da criança reconhecido em declarações, convenções e leis a nível mundial.

É o papel do professor estimular a criança a conhecer cada vez mais o seu meio físico e social. Mas existem brincadeiras para isto? É claro. Em primeiro lugar, deve-se visualizar com clareza os objetivos a serem alcançados com as atividades e as noções a serem desenvolvidas com a criança. Em seguida providenciar o material necessário. Finalmente, montar a “brincadeira”, ou seja, apresentara atividade de forma lúdica, desafiando a imaginação e a curiosidade de seus alunos.


Jogos cooperativos

Amarrados, mas com a bola no ar!

Objetivos: Propor a integração ao meio social, aprimorar o trabalho em grupo e estimular a cooperação.
Material: bolas (de cores diferentes), pulseiras de espumas (ou algo semelhante que não machuque o pulso das crianças) e pedaços de cordão, cortados com aproximadamente um metro.
Espaço: pátio externo ou quadra poliesportiva.
Para iniciar a atividade:
Utilizando as pulseiras, uma as crianças com os pedaços de cordão, formando um circulo fechado.
Explique que você vai lançar a bola no meio do círculo e o grupo, devidamente unido pelos pulsos, deve se esforçar para mantê-la no alto por maior tempo possível.
Para desenvolver a atividade com crianças maiores: introduza mais que uma bola para aumentar o grau de cooperação entre os participantes.

Passeio do bambolê

Objetivo: Aprimorar o trabalho em grupo, estimular a cooperação e desenvolver a coordenação motora.
Material: Um bambolê Espaço: Pátio externo
Para iniciar a atividade:
Forme uma roda com a criançada e, em seguida, escolha uma para iniciar o jogo.
Coloque o bambolê no antebraço dela e peça para que todos dêem as mãos fechando a roda.
Explique que, para iniciar o jogo, a criança que está no bambolê deve passá-lo no antebraço, para o tronco e do tronco para a cabeça, até chegar ao braço oposto. Nesse momento, ela deve abaixar e pular o bambolê, para liberá-lo para o próximo companheiro.
Em seguida, a segunda criança também entra no jogo. Quando o amiguinho lhe passar o bambolê, ela deve repetir os mesmos movimentos, até chegar ao terceiro companheiro, e assim consecutivamente, até todos da roda tenham participado do passeio do bambolê.
Para desenvolver a atividades co crianças maiores: comece com o jogo da mesma forma, mas conforme a habilidade demonstrada pela criançada, introduza mais que bambolê para aumentar a cooperação mutua e, ao mesmo tempo, o grau de dificuldade do jogo.

Abraço musical

Objetivo: Propor a integração no meio social e a aquisição de hábitos saudáveis de relação interpessoais.
Materiais: Aparelho de sons e CDs diversos. Espaço: Sala ampla.
Para iniciar a atividade:
Disponha a criançada à vontade pelo espaço destinado ao jogo.
Explique que elas devem dançar espontaneamente ao som da música até que ela pare. Nesse momento digam que elas devem abraçar formando duplas.
Volte à música e explique que assim que o som parar novamente, elas devem se abraçar em trio, depois em quarteto e assim sucessivamente, até o grupo todo se envolver em grande abraço coletivo.
Para desenvolver a atividade com crianças maiores: antes de parar a música, conte até três para chamar a atenção da criançada e, em seguida, enfatize uma característica específica (cor de olhos, cabelo, roupa, sexo, etc.) para determinar quem deve ser abraçado por todos.

Atividades de desenvolvimento infantil

Sessão de autógrafos
Objetivos: Favorecer as interações na busca dos autógrafos, na qual, a ênfase em obter (receber) assinaturas, freqüentemente, suplanta o gesto de formar autógrafos (dar).
Material: lápis e papel (para cada criança). Espaço: Sala de aula ou pátio externo.
Para iniciar a atividade:
Distribua as crianças, já com lápis e papel nas mãos, livremente para o espaço escolhido para atividade.
Estabeleça um tempo limite e incentive a criançada a obter o maior número de autógrafos entre os presentes, dentro do prazo dado. O vencedor será aquele que conseguir o maior número de autógrafos no tempo estabelecido.
Para desenvolver a atividade com crianças e pais: aproveite as festinhas da escola e introduza os pais na sessão de autógrafos. Explique o objetivo da brincadeira para eles. Em seguida, reúna a criançada e diga que as regras são as mesmas, mas que os pais representam personalidades e são os autógrafos deles que todos devem buscar.

Caça-fantasma

Objetivo: Desenvolver a percepção sensorial.
Material: Lençol. Espaço: Sala de aula.
Para iniciar a atividade:
Em sala de aula, escolha aleatoriamente uma criança. Explique que ela vai sair da sala por alguns instantes, enquanto o resto do grupo permanece sentado.
Assim que ela sair, escolha outra criança e a cubra com o lençol. Enfatize que ela deve permanecer em silêncio, mas tome cuidado para que não apareça nenhuma parte de seu corpo.
Em seguida, peça para criança que está do lado de fora da sala entrar e adivinhar qual coleguinha foi coberto.
Para desenvolver a atividade com crianças maiores: Enquanto uma das crianças espera do lado de fora, em silêncio, torque, um, dois, ou três alunos de lugar, para aumentar para quem vai adivinhar.
Obs.: No final da atividade, deixe a criançada discutir a posição em que estavam sentadas, as trocas de lugares, quem estava de um lado quem estava de outro.


Brincadeiras para a sala de aula

Ladrão

Objetivo: Estimular a memória, atenção, concentração e observação.
Material: Sobre uma mesa, vários objetos: escova, pasta dental, lápis, caneta, copo, prendedor de cabelo, chave, chaveiro, caixinhas etc.
Formação: Alunos em círculo, sentados ou em pé, tendo ao centro a mesa com os objetos.
Desenvolvimento: Será designado, por sorteio ou por escolha, um aluno para iniciar a brincadeira. Os outros ficarão observando. O aluno que irá brincar deverá todos os objetos que se encontra sobre a mesa. Ao comando do professor, após a observação, deverá virar-se de costas. Neste momento, o aluno professor ou aluno retira um ou mais objetos de cima da mesa. A um novo comando do professor, aluno deverá voltar e observar os objetos e terá que saber nomear qual ou quais são os objetos que estão faltando.

Trenzinho

Objetivo: Estimular a memória, atenção, agilidade e pronta reação.
Material: nenhum.
Formação: Alunos em círculo.
Desenvolvimento: Primeiramente os alunos deverão ficar em circulo, e depois formar um trem. O professor diz ao ouvido de cada participante uma parte do trem. Depois ele diz: O trenzinho quer sair, mas estão faltando às rodas. Os alunos que são as rodas saem correndo e colocam-se atrás do professor, segurando um a um na cintura do outro. Depois o professor continua dizendo: O trenzinho que sair, mas estão faltando às janelas. E assim por diante, todas as partes do trem são chamadas. O trenzinho só sairá quando estiver completo, com todas as partes.
Pode se sair pela sala, imitando o trem, seu barulho, apto, movimentos de curvas e etc. da mesma forma pode se variar o tipo de transporte, obedecendo às características de cada veículo.

Choque

Objetivos: Estimular a atenção, concentração, pronta reação, espírito de equipe e lateralidade.
Material: nenhum.
Formação: Alunos em círculo de mãos dadas.
Desenvolvimento: Devemos, primeiramente, executar esta brincadeira de olhos abertos depois de olhos fechados. Somente o professor poderá de olhos abertos. O professor inicia a brincadeira apertando uma das mãos do aluno que estiver sentado ao seu lado direito ou esquerdo, de acordo com sua escolha. Este aperto de mão é chamado de brincadeira de “CHOQUE”. O choque percorrerá a roda toda, o aluno que levar o choque e não apertar em seguida a mão do colega passando o choque, ou simplesmente distrair-se na brincadeira pagará uma prenda.


Anel no palito

Objetivo: Estimular a coordenação, atenção, atitudes positivas como: calma, cooperação, autocontrole e senso de humor.
Material: Palitos de picolé e anéis.
Formação: alunos sentados em suas cadeiras colocadas em colunas, tendo número igual de participantes em cada equipe.
Desenvolvimento: Todos os alunos devem estar com um palito de picolé, segurando-o com os dentes, exceto o último de cada coluna, que deverá está com o anel em seu palito para ser pendurado no palito do colega da frente. Ao sinal do professor, o último aluno de cada equipe colocará as mãos sobre os ombros do colega, posicionando-se de frente para ele, e tentará passar o anel do seu palito para o palito do colega. Assim sucessivamente. Se o anel cair, será colocado no palito do colega que estava passando o anel. Sairá vencedora a equipe que primeiro concluir o “transporte” do anel.

Quem sou eu?

Objetivo: Estimular a concentração, atenção, criatividade e senso de humor.
Material: Papel e caneta, caixa ou boné.
Formação: Alunos sentados em suas carteiras, em círculo.
Desenvolvimento: Cada aluno deverá escrever seu nome em um pedaço de papel e depositá-lo em um boné ou caixa. O professor mistura bem os papéis; a seguir cada aluno retira um, fazendo a descrição escrita do colega cujo nome ele tirou. A descrição deve ser bem curta. O professor pode estabelecer um tempo para a produção, avisando quando este tempo estiver quase esgotado. Recolhem-se todas as descrições que, a seguir, são lidas em voz alta. Atribuem-se pontos aos alunos que descobrirem o colega cuja descrição o professor está lendo.




Complete a frase

Objetivo: Trabalhar oralmente as palavras, despertando a atenção, a criatividade e a iniciativa.
Material: Nenhum.
Formação: Alunos dispostos em círculo.
Desenvolvimento: O professor deve dizer uma frase qualquer. O participante seguinte deverá dizer a última palavra que o participante anterior falou e completar a frase. Ex.: Maria comeu manga; a manga é muito saborosa. Saborosa também é a laranja. A brincadeira prossegue aumentando as frases até alguém errar, quando então se reinicia com nova frase.





Bibliografia:
Coleção Educativa Especial a revista do professor. Editora Minuano, 2008.

CUNHA, Sandra Telles da e GUARILHA, Claudia Bach Ferreira Construindo na educação infantil. Fórum de Produção Acadêmica UNIFESO. Teresópolis, 2005.

MALUF, Ângela Cristina Munhoz. Brincadeiras para a sala de aula. Petrópolis, RJ Vozes, 2004.

SANTA, Marli Pires dos Santos, organizadora. O Lúdico na Formação do Educador. Petrópolis RJ Vozes, 1997.

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