"O educador nunca estará definitivamente pronto, formado, pois que sua maturação se faz no dia a dia na meditação teórica sobre a prática." (Lukesi)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Desenvolvimeto histórico da Didática e tendências pedagógicas


A historia da Didática está ligada ao aparecimento do ensino no decorrer do desenvolvimento da sociedade, da produção e das ciências como atividade planejada e intencional dedicada à instrução.
Desde os primeiros tempos existem indícios de formas elementares de instrução e aprendizagens. Sabemos, por exemplo, que nas comunidades primitivas os jovens passam por um ritual de iniciação para ingressarem nas atividades do mundo adulto. Pode-se considerar esta uma forma de ação pedagógica, embora ai não esteja presente “o didático” como forma estruturada de ensino.
Na chamada Antiguidade Clássica ( gregos e romanos) e no período medieval também se desenvolvem formas de ação pedagógicas, em escolas, mosteiros, igrejas, universidades. Entretanto, até meados do século XVII não podemos de falar de Didática como teoria do ensino, que sistematize o pensamento didático e o estudo cientifico das formas de ensinar.
O termo “Didática” aparece quando os adultos começam a intervir na atividade de aprendizagem das crianças e jovens através da direção deliberada e planejada do ensino, ao contrário das formas de intervenção mais ou menos espontânea de antes. Estabelecendo-se uma intenção propriamente pedagógica na atividade de ensino, a escola se torna uma instituição, vista a adequação às possibilidades das crianças, às idades e ritmo de assimilação dos estudos.
A formação da teoria para investigar as ligações entre ensino e aprendizagem e suas leis ocorre no século XVII, quando João Amós Comênio ( 1592-1670), um pastor protestante escreve a primeira obra clássica sobre Didática, a Didática Magna. Ele foi o primeiro educador a formular a idéia da difusão dos conhecimentos a todos e criar princípios e regras de ensino.
Sabemos, que na história, as ideias, principalmente quando são muito inovadoras para época, costumam demorar para terem efeito prático. No século XVII, em que viveu Comênio, e nos séculos seguintes, ainda predominavam práticas escolares da Idade Média: ensino intelectualista, verbalista e dogmático memorização e repetição mecânica dos ensinamentos do professor. Nessas escolas não havia espaço para ideias dos alunos, o ensino era separado da vida, mesmo porque ainda era grande o poder da religião na vida social.
Enquanto isso ,porém, foram ocorrendo intensas mudanças nas formas de produção, havendo um grande desenvolvimento da ciência e da cultura. Foi diminuindo o poder da nobreza e do clero e aumentando o da burguesia. Na medida em que esta se fortalecia como classe social, disputando o poder econômico e político com a nobreza ia crescendo também a necessidade de ensino ligada a exigências do mundo da produção e dos negócios e, ao mesmo tempo, um ensino que contemplasse o livre desenvolvimento das capacidade e interesses individuais.
Jean Jacques Rousseu (1712-1778) foi um pensador que procurou interpretar essas aspirações, propondo uma concepção nova de ensino baseada nas necessidades e interesses imediatos da criança.
Heinrich Pestalozzi desenvolveu a ideia de Rousseu que via educação como fator de transformação social. Foi quem primeiro mostrou, de forma clara, que a educação deveria respeitar as características da criança.
Pedagogo alemão que exerceu enorme influência na Didática e Prática de Ensino. A Pedagogia Tradicional é inspirada e Herbart.(1766-1841) que elaborou os quatros passos didáticos, seguidos pela Pedagogia Tradicional: preparação, apresentação, associação, sistematização e aplicação.
Tal seqüência, apresentada por Herbart, é, até hoje, seguida por muitos mestres. Algumas destes fazem parte do grupo que comunga da tendência tradicional de educação, entendendo que a Didática deve estar voltada para a divulgação dos conteúdos de ensino, com fim em si mesmo. É valorização do conteúdo pelo conteúdo. Nesta tendência, o centro do processo ensino aprendizagem é o professor, que assume uma postura autoritária e privilegia a exposição oral sobre qualquer outro procedimento de ensino.
No Brasil, desde os jesuítas, cuja influência religiosa se deu até final do Império e o início da Primeira República, prevaleceu à tendência pedagógica tradicional.
A didática, nessa tendência, está embasada na transmissão cultural, concebendo o aluno como ser passivo, atribuindo um caráter dogmático aos conteúdos de ensino e percebendo o professor como figura principal do processo de ensino- aprendizagem. Na avaliação  provas e arguições, apenas para classificar o aluno.
Já nos anos de 1920, a tendência tradicional começa a sofrer críticas com o despontar da tendência Liberal Renovada Progressivista ( Escola Nova ) que lhe faz oposição,apesar de a tendência tradicional ainda prevalecer na prática da maioria dos professores brasileiros.
No final do século XIX, a Psicologia desponta como ciência independente, dando grandes contribuições à educação. Traz como grande novidade a seguinte afirmação: é o individuo que aprende, a aprendizagem se dá na pessoa. Portanto, o processo de ensino aprendizagem tem de estar centrado no aluno e não no professor.

Referências bibliográficas: LIBÂNEO, José Carlos.Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

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